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segunda-feira, 30 de maio de 2011

Cetam oferece cursos para formar técnicos em agrimensura

Cetam oferece cursos para formar técnicos em agrimensura

Aquecimento da construção civil faz crescer a demanda por mão de obra, atraindo profissionais de outros Estados

Diante do aquecimento da construção civil no Amazonas, o Governo do Estado está investindo na qualificação de profissionais para uma área que, atualmente, é dominada por mão de obra vinda de outros Estados: os técnicos agrimensores.
Neste ano, o Centro de Educação Tecnológica do Amazonas (Cetam) iniciou a primeira turma do curso técnico nível médio em agrimensura.
O curso tem o objetivo de capacitar profissionais para a elaboração de projetos de infraestrutura em áreas rurais e urbanas.
“É uma demanda real que surgiu a partir das atuais necessidades da construção civil”, enfatiza o diretor de relações institucionais do Cetam, Leonardo Bruno Monteiro.
Segundo ele, a falta de técnicos desse tipo é sentida em nível nacional. “No Amazonas, o mercado ainda é dominado por agrimensores do resto do país, o que acaba supervalorizando a mão de obra de poucos técnicos”, analisa Monteiro.
Conforme dados do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Crea-AM), existem 137 técnicos em agrimensura em atuação no Estado, dos quais apenas sete são amazonenses.
Qualificação
A turma pioneira do curso técnico em agrimensura teve o calendário iniciado no último mês de março e conta com 30 alunos regularmente matriculados. As aulas, teóricas e práticas, são ministradas na Escola Superior de Tecnologia da Universidade do Estado do Amazonas (EST/UEA).
Dividido em três módulos, que duram um ano e meio, a previsão de conclusão do curso é para o segundo semestre de 2012.
Atuante na área da construção civil há cerca de cinco anos, a desenhista cadista Francisca Lima, 26 anos, integra a classe estreante.
“Sempre senti muita vontade de fazer esse curso, mas só existia fora da região e eu não tenho condições de sair de Manaus. Quando eu soube que teria no Cetam, não perdi a oportunidade e agora estou aqui”, comemora.
Além de obter o diploma do Cetam, a futura agrimensora já pensa nos passos seguintes (e ainda maiores) de sua vida profissional. “Daqui para frente, a minha meta pessoal é abrir uma empresa que atue na área de topografia e agrimensura. Este é o meu principal sonho e, graças ao Governo e aos meus esforços, vou conseguir torná-lo realidade”.
No caso do militar Rodrigo de Freitas, 34, que trabalha num setor do Exército Brasileiro que envolve a leitura de mapas e plantas arquitetônicas, o título de agrimensor deverá garantir novas oportunidades. “Esse curso tem superado todas as minhas expectativas e já está me abrindo muitas possibilidades dentro do meu próprio emprego. Tudo o que eu aprendo aqui, já utilizo em minha profissão”, afirma Rodrigo.
O coordenador do curso e professor de Engenharia da UEA, Antônio Estanislau Sanches, destaca que, em apenas três meses, dois estudantes do curso já foram inseridos diretamente no mercado de trabalho.
Dentre as atividades oferecidas na grade curricular do curso técnico em nível médio de agrimensura, o destaque é para os trabalhos de campo, por meio dos quais os alunos aplicam os conhecimentos da sala de aula em obras e, até mesmo, no próprio espaço de aprendizagem. “Logo no começo do curso, eles já fizeram a topografia de toda a área da EST/UEA”, diz Sanches.
Falta de pessoal faz salário dobrar
Na avaliação de Antônio Sanches, professor da UEA, as oportunidades de emprego disponíveis atualmente para os especializados em agrimensura deixam o mercado “extremamente aquecido” em Manaus.
Ele afirma que as demandas têm se mostrado tão intensas, com o impulso da construção civil pela Copa do Mundo de 2014, que os empreendedores do ramo têm dobrado os valores das remunerações no intuito de atrair mais mão de obra, ainda em escassez.
“Para se ter uma ideia dessa situação, o salário médio de um agrimensor varia de R$ 1,5 mil a R$ 2 mil por mês. Porém, aqui em Manaus, as empresas estão com uma dificuldade muito grande de conseguir esses profissionais e o valor que elas estão pagando já está chegando a R$ 3,5 mil. Ainda assim, é difícil encontrar pessoal para trabalhar”, exemplifica o coordenador do curso.
Para ele, as políticas de qualificação do Governo do Amazonas poderão modificar o atual cenário do mercado local, que tem buscado os serviços da área de agrimensura fora do âmbito estadual. O Cetam estuda a possibilidade de abrir novas turmas.
Trabalho é o que não falta para os técnicos
A procura pelo curso de agrimensura parte, prioritariamente, de pessoas já ligadas ao segmento ou com o produtivo rural.
Para construir uma edificação, é preciso ter a noção exata das características do local planejado. Só o agrimensor faz isso. O profissional também atua no georreferenciamento de imóveis rurais no interior.

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